2017 · MEMORIA entre Cielo y Agua

…Vivi de olhos postos nas ondas. Em qualquer época do ano, a qualquer hora do dia ou da noite, olhar o seu movimento, ouvir-lhe o sussurrar ou o estoirar contra os rochedos era a forma mais milagrosa que encontrara para esconjurar os maus presságios e os medos que surgem atrás da porta e nos sobressaltos da vida…

(in ‘Deus, o Diabo e Eu’)

 

 

Sim Saskia, ao ver nas suas telas, as cores, os enlaces, as expressões silenciosas das águas revoltas ou calmas a emergirem como numa oração ou num grito, agradeço-lhe.

E confesso que ainda hoje me interrogo sobre uma dúvida de berço; porque é que Deus está no Céu e não no Mar?

O Mar dá-nos lições a todo o momento. Tarde ou cedo sempre devolve o que não lhe pertence. Diz -nos e ensina -nos até onde podemos e devemos ir. Quando se zanga surge enraivecido como um monstro assustador, mas quando nos quer acalmar brilha nos reflexos e abraça-nos depois nos requebros lânguidos das ondas quando se espraia numa dança impar, num bailado ensaiado desde sempre sob uma música única.

É por isto que quem ama e respeita o mar reza sem o saber, a um Deus de que ninguém fala.

E todo o mar tem ondas, como a terra tem sol e o homem amor.

 

Luís Pereira de Sousa

2016 · Ausencia

La relación con la ausencia es siempre una emoción antes que un ejercicio de voluntad. Cada ausencia implica un despliegue de sentimientos distintos en función del momento y las circunstancias personales. Cada espacio, cada tiempo, cada persona que ha dejado nuestra vida contiene múltiples recuerdos. Evocaciones que se reflejan en el cambiante horizonte de la memoria.

Los huecos de ausencia, sus resonancias, nos confrontan con lo telúrico y dejan un reguero que no se olvida fácilmente, que permanece más allá de la voluntad.

La sencillez de esta propuesta es aparente, ya que teje vínculos complejos entre la materialidad y la evanescencia. Materia y volumen se desvanecen en las líneas de un horizonte que nos empuja a ir más allá en el recuerdo.

Bernabé Sarabia