1998 · Carlos Frias de Carvalho | Carlos Neves Carvalho

Textos para o catálogo da exposição ‘Tajo/Tejo’ | Mãe d’Água · Lisboa

Pelos caminhos da água

na água escrevia o nome
abreviado
com o olhar mais vago
e mais profundo

Atlántico I | 100 x 100 cm | óleo sobre tela

Atlántico I | 100 x 100 cm | óleo sobre tela con imprimación serigráfica

do azul fluia a voz
do rio navegado
até a foz
– a foz do mundo

 

Carlos Frias de Carvalho

Escrita da agua

 

Pelos caminhos da água peregrina esta pintura despojada. Tão atento ao fluir da lágrima. Ao quadrado dos seus limites. Ao inadiável encontro, na infinitude do corpo e seus dizeres. Olhar de agua, mas também da água e suas margens. Harmonia luminosa do diálogo, ou do tumulto aceso, mutante e permanente. Sede que se estende azul-suave até aos ocres, aos verdes mais sedentos, sequiosos. Olhar circunscrito ao lugar concreto, que se alarga mais e mais, e se diluí no sonho denso do azul. Na vastidão

Pelos caminhos da água vai o Tejo, ou o nosso respirar. No oIhar atento e rigoroso de Saskia Moro. E no seu dizer elaborado e belo. Ao mar aberto onde os rios se perdem e se encontram. Onda urgente era a Berlenga e seu farol. A mãe d’água, assim, iluminada.

 

Lisboa, 11 outubro 1998

Carlos Neves Carvalho

Comentarios cerrados.